13 de julho de 2010

Não podemos nos calar...

"Casamento" homossexual: leigos marcham contra lei na Argentina

Leonardo Meira
Da Redação, com informações de L'Osservatore Romano (tradução de CN Notícias)


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Cardeal Bergoglio: ''Não é simplesmente uma luta política, mas é um atentado destrutivo contra o plano de Deus''
Cristãos leigos de toda a Argentina promovem uma marcha contra o projeto que prevê a legalização do matrimônio entre pessoas do mesmo sexo e a adoção de crianças por casais homossexuais.

A caminhada vai se dirigir rumo ao Congresso Nacional nesta terça-feira, 13, às 18h30min (mesmo horário em Brasília). O Arcebispo de Buenos Aires e primaz da Argentina, Cardeal Jorge Mario Bergoglio, convidou párocos, reitores e capelães de todas as dioceses do país para favorecerem a participação dos fiéis na marcha.

A organização é do Departamento para os leigos (Deplai) e tem como tema: "Desejamos mamãe e papai para os nossos filhos".

O projeto de reforma do Código Civil será votado neste terça-feira no Senado, após ser aprovado pela Câmara de Deputados, em maio, com 126 votos a favor e 110 contra (além de 4 abstenções e 16 ausências). Caso aprovado, o projeto tornaria a Argentina o primeiro país na América Latina e o décimo no mundo a promulgar uma lei que permita o casamento homossexual em todo seu território.

Diversos sindicatos, organizações sociais, movimentos da Igreja e organismos leigos diocesanos participarão da marcha. Em uma carta enviada ao clero diocesano nos últimos dias, o Cardeal Bergoglio sugeriu que fosse lida nas celebrações eucarísticas do último domingo, 11, a declaração Sobre o bem inalterável do matrimônio e da família, da Conferência Episcopal Argentina, e que fossem recitadas intenções pela família.

Nessa declaração, o episcopado argentino sublinha que "o matrimônio, como relação estável entre homem e mulher, que na própria diversidade são complementares pela transmissão e cuidado da vida, é um bem tanto para o desenvolvimento das pessoas quanto da sociedade. Estamos diante não de um fato privado ou uma opção religiosa, mas de uma realidade que têm raízes na natureza mesma do homem, que é homem e mulher. Afirmar a heterossexualidade como requisito para o matrimônio não é discriminar, mas partir de um elemento objetivo que é seu pressuposto. O contrário seria desconhecer a sua essência, isto é, aquilo que realmente é".

Para a Conferência dos bispos, "o matrimônio não é uma instituição puramente humana, apesar das numerosas variações que pôde apresentar ao longo dos séculos nas várias culturas, estruturas sociais e abordagens espirituais. Essas diversidades não devem fazer esquecer os seus traços comuns e permanentes. O matrimônio baseia-se sobre a união complementar do homem e da mulher, os quais naturalmente se enriquecem com a contribuição dessa diversidade radical".

O Cardeal Bergoglio também enviou, há alguns dias, uma carta às irmãs carmelitas de quatro mosteiros de Buenos Aires, na qual escrevia:

"Se o projeto de lei que prevê às pessoas do mesmo sexo a possibilidade de se unirem civilmente e adotarem também crianças vier a ser aprovado, poderia ter efeitos seriamente danosos sobre a família. O povo argentino deverá afrontar nas próximas semanas uma situação que, caso tenha êxito, pode ferir seriamente a família. Está em jogo a identidade e a sobrevivência da família: pai, mãe e filhos. Não devemos ser ingênuos: essa não é simplesmente uma luta política, mas é um atentado destrutivo contra o plano de Deus".

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